segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Auto-retrato


Eu sou um companheiro da vida,
O errante estudante que aprende a escola florida.
Sou uma alma peregrina, por esse mundo, á deriva…

Dizem que desafio a esperança
Com gorjeios de criança.
Dizem que sou distante, muitas vezes triste,
No entanto ao mundo eu resisto, enfrento e insisto, não temo nem desisto!!!

Percorro caminhos já percorridos,
Mas só encontro feridos,
De que me adianta encontrar uma saída,
Se é assim a vida…

Do destino, não fujo, mas sou filho do vento
E entre vales e montes procuro um lugar no tempo.
Ricardo Costa

Mil Novecentos e Oitenta e Quatro


Mil Novecentos e Oitenta e Quatro é o mais famoso romance de Eric Arthur Blair sob pseudónimo de George Orwel. Este livro foi escrito em 1948 e o seu título vem da inversão dos dois últimos dígitos do ano em que foi escrito.Inspirado na opressão dos regimes totalitários das décadas de 30 e 40, o livro não se resume, apenas a criticar o estalinismo e o nazismo, mas todo o nivelamento da sociedade, a redução do indivíduo a uma peça para servir o estado ou o mercado através do controle total, incluindo o pensamento e a redução do idioma

A meu ver, Orwell, queria alertar-nos quanto aos líderes ou ditadores que tivemos, temos e teremos. Ditadores e loucos, como o personagem O’Brien, que acreditam nas suas próprias doutrinas (ou mentiras), com tanta convicção que conseguem convencer exércitos de homens e mulheres, levando-os para os campos de batalha, onde lutam e perdem as suas vidas por questões que não lhes pertencem.Este livro fez-me reflectir sobre questões ligadas ao mundo, aos média, á manipulação e à política mundial. Questões como aquelas que Winston levantou no romance. O que é o presente? Onde está o futuro? O que é a liberdade? Quantos traumas e quantas torturas teremos que passar para conseguirmos ter paz?

Avaliando a minha posição perante isto, vejo-me como Winston, sinto que não pertenço à prole, de certa forma sou um privilegiado, estou a estudar, tenho alguma cultura, pelo menos esforço-me para isso, e o mais importante do que tudo isto, tenho opinião própria. Porém, assim como Winston, também muitas vezes tenho duplopensamento, conheço duas crenças e não luto por nenhuma, então é sinal que aceito ambas. Isso seria hipocrisia? Todavia eu simplesmente recuso essas duas crenças por achar que estão erradas ou por simplesmente serem absurdos do tempo.

O Triunfo dos Porcos


Mais uma vez, através desta grande obra-prima, Orwell parece comunicar com os nossos dias, onde a concentração do poder e da riqueza, a manipulação da informação e as desigualdades sociais atingem valores absurdos.

Triunfo dos Porcos é uma fábula terrivel de contemplação satírica sobre os perigos do totalitarismo, esta pequena história partilha com "1984" algumas ideias importantes. A saber. a mentira disfarçada, como meio previligiado para dominar as classes trabalhadoras, a força como maneira de manter a ordem e a disciplina e o trabalho como motor de desenvolvimento intelectual e de enriquecimento de uns á custa de outros.

Foi nesta obra que apareceu a célebre frase: "Somos todos iguais, mas uns são mais iguais do que outros", uma frase que de certo já ouviram alguêm dizer.

Não acho este livro tão medonho e brutal como o "1984", talvez porque utiliza a metáfora dos animais e porque retrata o tema de uma forma mais generalista. No entanto, vendo bem as coisas, é uma obra, digamos, tão brutal como a outra...

Do meu ponto de vista, o livro passa-nos a mensagem de que todos os objectivos se corrompem com o poder e com a mentira e que muitas vezes quem era parte de uma solução passa a ser parte dum problema.
Triunfo dos Porcos, faz de facto uma dura crítica ao Estalinismo, mas a meu ver, a mensagem que este transmite transcende o caso Soviético. Certamente que Orwell não se inspirou apenas neste contexto, mas em diversos momentos da história e, é obvio, que se considerar-mos este romance uma obra eterna, ironizaremos as futuras gerações de porcos, ovelhas, cães, cavalos, gatos e todos os demais espécimes humanos.